A clareza cegante de saber que pra você eu só poderia e poderei ser aquela de olhos frágeis, a mulher bem amada - jamais a companheira - a impossibilidade de uma vida partilhada que conspurcasse o inatingível que, paradoxalmente, atingimos.
Sabíamos?
Penso que não: o Amor invadiu e fim.
Fomos capazes e corajosos ao extremo, chegamos a todos os extremos.
Porém você me quer aquela, quase inatingível, que você conquista e, conquista uma outra vez ainda, obsessivamente. E vou me entregando sem peias, sem rédeas.
Mas sempre devendo recuar para que você reinicie o seu ritual - porque 'aquela estrela é a dela'- de me buscar aonde eu estiver, aonde minha alma estiver e, de novo, again and again, para que eu me entregue sem limites, sem cuidados, sem demora, sabendo que não devo, para mais uma vez recuar e você não me esquecer, para eu não me esquecer de nenhum minuto vivido, não me deixar esquecer que te pertenço e de me fazer sair por aí mentindo e dando meu corpo pra não dar minha alma pra ninguém, porque você vai vir, sei que vai, para reempossá-la, anulando com um gesto arrebatador, um só gesto, todo o meu trabalho sobre ela a fim de libertá-la para, enfim, EU me apropriar dela.