A mesma luz.
O Bosque.
Ando rápido como se pudesse escorrer a raiva pelos pés, como se pudesse afundá-la na lama rasa que se formou depois da chuva.
Os turistas passam devagar aprisionando as paisagens nas câmeras digitais.
A mesma paisagem que espero que me liberte, e que me dê redenção desse sentir desmedido.
Esse sentir que me imobiliza na consciência desse tempo circular, esse sentir sem alívio que me inunda de dúvidas, se as coisas existem, se o tempo e o fazer do tempo existem de fato, se existe o caminho que a gente pensa que escolhe.
O sol de outono filtrado nas folhas centenárias me afaga os ombros e metade do rosto.
Vou me virando devagar em direção a ele e lembro Alberto Caeiro- quem está ao Sol não pensa em nada.
Sossego.
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